Rogério Ceni no Pici: do acesso ao crescimento

Rogério Ceni é o novo técnico do leão

O ano de 2017 termina como todo tricolor gostaria: após oito longos e agonizantes anos, saímos da famigerada série C. Com isso, além da emocionante sensação de havermos saído do inferno, o clube passa a ter acesso a uma série de receitas aos quais não tinha quando estava na penúltima divisão do futebol nacional: patrocínio da Caixa Econômica Federal, cota de televisão (inexistente na série C), aumento do número de sócios, entre outras possibilidades de captação de recursos dada a visibilidade imensamente maior que a série alcançada tem.

Junto com a merecida e memorável festa, é necessário que a gestão do clube entenda que o acesso, sem dúvida uma grande e ansiada conquista, não implica necessariamente em crescimento do clube. Como exemplo, podem-se citar os dois acessos conquistados na década passada à principal série do campeonato nacional. Naquela época, o clube ganhou visibilidade, disputou a maior competição nacional, mas não aproveitou essa oportunidade para crescer como instituição autossustentável, dando nítidos sinais de que o que estava em seu horizonte era apenas o resultado em campo. Não por acaso, três anos após nossa última participação na série A, fomos rebaixados à penúltima divisão do futebol nacional e sem muitos recursos para conseguirmos sair dela. Isso significa dizer que acesso e crescimento não têm uma relação automática e que, caso não seja feito um trabalho para que uma coisa implique na outra, o Fortaleza corre risco de um dia cair de patamar novamente.

A responsabilidade fiscal é peça-chave nesse processo e a carta-renúncia de Eduardo Girão sinaliza essa preocupação, bem como a auditoria apresentada junto com ela. Atrasar salários, estourar o orçamento, apostar em contratações que já tiveram um passado glorioso, mas hoje não rendem mais, entre outras coisas, não pode mais acontecer. A palavra é profissionalização.

Ocorre que aliado a isso é preciso pensar o Fortaleza grande, numa proporção similar à de sua torcida. E os primeiros sinais que a nova gestão está dando são animadores. A vinda de Rogério Ceni – que já é o assunto que mais colocou o Fortaleza em evidência na mídia nacional em toda a sua história – indica a intenção de fazer um Fortaleza forte, em busca da vaga à série ou, pelo menos, sem correr grandes riscos de um novo rebaixamento. Foi divulgado pelo presidente que Rogério solicitou uma série de melhorias na estrutura do clube. Sabe-se também que há ações de marketing sendo pensadas, como venda de produtos, captação de patrocinadores, etc. Tudo isso “ajuda a bola a entrar” (expressão muito usada pelo nosso presidente), pois remodela o desenho do próprio clube. Mais uma vez, a história gloriosa do tricolor o coloca diante da necessidade de crescer após um tão desejado acesso. Parece que os dirigentes estão entendendo esse recado. Bora, Leão!

Avança, Leão! Por que a chapa 10?

No próximo dia 3 de dezembro, pela segunda vez em nossa história, nós, tricolores sócio-torcedores há pelo 2 anos, votaremos para escolher a gestão que comandará o clube pelos próximos 2 anos – inclusive, no centenário do nosso amado Tricolor de Aço. Na condição de sócio, decidi, à revelia do site Etricolor, que se mantém imparcial, manifestar meu posicionamento nesse pleito que, a meu ver, põe frente a frente distintos projetos para o clube. Escolher numa votação como essa é pensar no futuro, é decidir que clube queremos e, sobretudo comparar propostas, avaliando o que cada um já fez em prol do Fortaleza e a viabilidade daquilo que se está prometendo. Devo dizer, inicialmente, sei que todos os candidatos são tricolores, e não duvido de suas intenções. O que está em jogo não é o amor de cada, mas os projetos para um Fortaleza forte.

Meu voto é na chapa 10, “Avança, Leão”, encabeçada por Jorge Mota, e que tem como vices Ênio Mourão e Evangelista Torquato. Foi com essa gestão que o sócio-torcedor mais do que dobrou nos últimos anos. É verdade que o gol de Cassiano contribuiu, mas atribuir apenas a isso parece muito reducionista, haja vista que chegamos a ser tetra campeões, numa conquista épica, e, ainda assim, não atingimos nem mesmo o número de 2 mil sócios. Os resultados em campo são insuficientes sem gestão. E, por falar, em gestão, a atual direção do Fortaleza marcou outro gol de placa: devolveu ao clube sua própria marca. Sim, torcedor, é isso mesmo que você leu: a marca Fortaleza Esporte Clube não pertencia à instituição, que, para ganhar algo com cada uniforme vendido pela badalada Kappa, tinha que atingir uma meta inalcançável de vendas numa loja que, sequer, era auditada. A estrutura fora de campo, como equipamentos, profissionalização dos que trabalham na preparação do time nas diversas esferas e presença de analistas de desempenho e de mercado no ainda subutilizado Centro de Inteligência Fortaleza Esporte Clube (CIFEC) fazem parte de um trabalho que, se não põe a bola para dentro, ajuda-a a entrar. Há que se mencionar também todo um trabalho de Marketing com a premiada Delantero modernizando o uso das redes sociais do clube.

Há quem entenda que o futebol fracassou. E isso é parcialmente verdadeiro. Nos últimos 2 anos, quebramos um incômodo tabu de três anos contra o nosso maior rival (e desde então não mais fomos derrotas por eles). Nos últimos 2 anos, vencemos 2 campeonatos estaduais – coisa que não ocorria havia 4 anos (aliás, nesse quesito, Jorge Mota é imbatível, pois venceu 5 de 6 campeonatos estaduais que disputou). Esse ano, fizemos a melhor campanha dos últimos 15 anos na Copa do Brasil (a última havia sido em 2001 com esse mesmo Jorge Mota). É verdade que, de novo, pela sétima vez, não conseguimos o acesso, e que isso denota falhas no trabalho de que campo, setor que exige mudanças de quem vier a dirigir o clube.

Ocorre que votar é fazer uma escolha. É, como dito acima, sobretudo, comparar. E, quando comparo, fica fácil perceber que a chapa “Avança, Leão” é a melhor. Numa das chapas, um candidato com promessas mirabolantes e sem clareza na exposição da execução de suas propostas. Uma delas, por exemplo, condenaria o clube a um endividamento ainda maior do que a atual: tomar por empréstimo 40 milhões de Reais a 1% ao mês. Faça as contas: o valor de juros ao fim do processo é astronômico. Em outra, a reunião de pessoas que, embora tricolores, participaram de alguns dos maiores fracassos e vergonhas pelas quais passamos em nossa história recente, além de gestões fora de campo que nos deixaram dívidas que pagamos até hoje. É só verificar os borderôs de jogos. Foi com parte das pessoas de uma das chapas que caímos para a famigerada terceira divisão, da qual tentamos nos livrar até hoje. Foi também com parte dessas pessoas que, embora tenhamos ganho um tetra campeonato estadual (com um time sofrível, diga-se de passagem), não conseguimos nos classificar sequer para o mata-mata da série C, num grupo que tinha Paysandu, São Raimundo do Pará, Águia de Marabá e Rio Branco (vencemos apenas o São Raimundo e empatamos todos os jogos restantes). Foi com parte dessas pessoas também que passamos 3 anos sem vencer nosso maior rival, bem como chegamos a ficar em quarto lugar no estadual e, por conseguinte, ficamos fora da Copa do Nordeste, perdendo a vaga num mata-mata humilhante contra nosso maior rival. Aliás, no clássico-rei, já entrávamos derrotados. Foi também com eles que sequer chegamos a nos classificar para o mata-mata da série C ao empatar num Castelão lotado contra o Sampaio Correa.

Se a grande falha da atual gestão foi no futebol, e acho que foi mesmo, como esperar que essas pessoas, que, embora amem o Fortaleza, colecionaram uma série de fracassos ainda maiores, tenha a fórmula para que o clube finalmente saia da série C? Essa fórmula, se é que existe, é constituída processualmente, com fatores de dentro e de fora do campo. Neste último quesito, o Leão tem sindo conduzido com muita força e tem plantando aquilo que é necessário para um futuro autossustentável, sem a presença de Mecenas que prometem uma botija de dinheiro para bancar, ou sem promessas não realizáveis só para agradar o torcedor. É nesse Fortaleza que eu acredito. É nesse Fortaleza que eu voto. Avança, Leão!

Por um novo amanhã

Hoje é um dia diferente. Eu, como creio que todos os tricolores, acordei com um imenso desejo que já fossem 19:15 para ver o Leão entrar em campo e lutar, como fez durante toda a temporada nos momentos decisivos, para chegar àquilo que o próprio zagueiro Lima, em vídeo que circulou muito nas redes sociais, disse ser também o sonho do grupo. Esse sonho, que é grande e forte, é o de superar a incômoda e humilhante condição de membro da penúltima série do futebol nacional – situação que não condiz com o tamanho do nosso Tricolor de Aço.

A despeito de todas as dores das situações passadas, não é contra Oeste, nem Sampaio Corrêa, Macaé ou Brasil de Pelotas que o Fortaleza vai jogar. Por isso mesmo, não vale nem ajuda impor o peso do passado sobre a oportunidade que o presente oferece. Se é verdade que é possível e necessário aprender com o que ocorreu, é também verdadeiro que a essência de torcer por um time consiste exatamente em não deixar a esperança morrer. Hoje é dia de olhar para o futuro e vislumbrá-lo por um presente forte e uma condição diferente.

Hoje é dia sonhar com um Fortaleza de um tamanho proporcional ao que pode se tornar mesmo diante das mais severas adversidades. Para nós, nunca foi fácil. Para nós, o direito de sonhar é de fato uma necessidade. De outra forma, em vez de renascer da série C, nos apequenaremos e nos adequaremos ao tamanho desse fatídico campeonato. Hoje é o começo de uma semana que nos indica uma nova possibilidade para um novo Fortaleza.

 

Aos jogadores, cabe a missão de entender a dimensão de sua responsabilidade e que sonho sem trabalho é devaneio. Para eles, hoje é dia de correr e se aplicara ainda mais que nos melhores momentos da temporada. Hoje, vale por um ano inteiro, por quase uma década de muita humilhação e luta que cada tricolor travou ao longo dos últimos 7 anos. Hoje, é dia de acreditar um novo amanhã. Pra cima deles, Leão!

Salve o Tricolor de Aço

Após o revés em Natal, contra o ABC, no último sábado, a situação do Leão ficou muito preocupante. Caso o Clube do Remo obtenha bom resultado em Belém contra o Confiança, o que é provável, sairemos pela primeira vez em 14 rodadas do G-4. Os cálculos mais recentes apontam a necessidade de 29 pontos para se classificar para o mata-mata. Subtraídos os 22 já conquistados, nos restam 7 pontos a conquistar em 12 possíveis, ou seja, 58,33%, contra Salgueiro (em casa), Asa (fora de casa), Remo (em casa) e Botafogo (fora). Se não é um aproveitamento de campeão, é superior aos atuais 52,4% de desempenho do nosso time até aqui e quase o dobro dos 33,33% das últimas quatro rodadas (vencemos 1, empatamos outra e perdemos 2). No primeiro turno, nessa mesma sequência, fizemos 7 de 12 pontos, com mando de campo inverso ao que teremos. O momento, porém, era bem mais tranquilo, devido ainda às boas atuações do time nos clássicos-rei, e especialmente nos momentos decisivos da Copa do Nordeste e, principalmente, da Copa do Brasil. Hoje, a torcida está preocupada, e as comparações com 2013, ano em que, no último minuto, despencamos do primeiro para o quinto lugar e ficamos fora do mata-mata, são inevitáveis. Prova disso é a quantidade de números que presentes nesse parágrafo. Os cálculos fazem parte desse jogo.

Nessas horas, é muito comum aparecerem textos motivacionais para falar da mística “daquelas camisas”, para lembrar do acesso em 2004 à série A (bons tempos) com apenas 2% de chance (olha os números aí de novo), entre outras coisas, para que nos convençamos de que é possível e de o nosso time é diferente dos outros. E minha vontade ao escrever esse texto era de fazer algo assim. Mas é difícil brigar com o real e com o que a gente mesmo sente. Até porque, depois de sábado, minhas esperanças ficaram muito reduzidas e busco um alento que até aqui não encontrei. É inevitável comparar a disputa atual todas as outros 6 temporadas (sim, já faz esse tempo todo) em que disputamos a famigerada e vergonhosa série C do campeonato nacional e me perguntar: “mas de novo?”. Afinal, é preocupante constatar que temos um elenco mais fraco do que aquele que disputou e venceu o estadual – campeonato sabidamente mais fraco que a série C. Quando um titular não está indo bem ou se machuca, o sentimento é de desalento; nosso banco não resolve, não nos dá alternativas para mudar uma partida (é bem verdade que nossos meios sofrem com contusões desde o início do campeonato).

Nesse sentido, é nítido, embora não admitido publicamente, que houve erros de avaliação do elenco. Em vez de reforços, o que se viu até aqui foi uma coleção de jogadores cujo desempenho afundam a produção do time e nos enche de saudade de quem está de fora. Quem não gostaria de ter Éverton de volta o mais rápido possível? E Ricardo Berna? E o questionado (mas útil) Juninho? É comum nos grupos de whatsapp e outras redes sociais a crítica aos critérios adotados na hora de contratar reforços. É comum que ocorram atos de desespero e, frequentemente, equivocados de torcedores que não aguentam mais a humilhante situação de disputa de um certame tão pouco condizente com a grandeza do tricolor, que, aliás, se degradou muito desde o rebaixamento em 2009. Até pouco antes disso, éramos sinônimo de modernidade no estado, com a parceria da saudosa Santana Têxtil e a formação de times que faziam jus à nossa tradição. E o que sobra do Fortaleza que nos encanta desde pequenos?

Sem pestanejar, respondo que o que resta é nossa torcida. E é só a ela que o Leão pode recorrer. Sob desconfiança ou não, sob protesto ou não, se a torcida abandonar o Fortaleza, não sobra muito além de uma sala com vários troféus cujas conquistas só foram possíveis porque o Fortaleza se fez grande como sua torcida. É só a ela que o clube tem. Nada mais. Por isso, ainda que insatisfeitos, a hora é de chegar junto, de contar com quem está aí e com quem ainda pode chegar (especulam-se no Pici duas contratações: a de um meia e de um atacante) para levantar o moral e jogar junto. Sábado, é dia de gritar e apoiar mesmo aqueles jogadores que sabemos que, noutras circunstâncias, jamais poderia vestir nossa gloriosa camisa. Sábado, é dia de levantar esse time com a nossa força, pois é só ela que ele possui. Torcer é, mesmo no pessimismo (e o nosso é bem justificado), alimentar uma ponta de esperança. Torcer Fortaleza nos últimos 7 anos, então, é caminhar sobre uma afiada navalha e, ainda assim, conviver com uma mistura de desilusão e esperança. Sábado e sempre, só a torcida pode salvar o tricolor de aço. Sábado, é dia de CasteLeão.

Fortaleza x Fortalezzzzzzzzza

Todo mundo que trabalha com algum tipo de avaliação sabe que a mais justa (embora não seja a mais usada) é aquela compara o objeto (ou pessoa) a ser avaliado consigo mesmo. Assim, a maneira mais adequada de saber do desenvolvimento de um aluno não é sua comparação com seus colegas, mas a de quanto ele evoluiu ao longo de um determinado período tendo como parâmetro o início e o fim desse tempo. É assim que se descobre o quanto, com que velocidade, de que modo e até onde se pode evoluir. Uso essa metáfora para me referir ao Fortaleza. Após as pífias exibições na série C do campeonato brasileiro, a torcida teme até mesmo a possibilidade de não nos classificarmos para o temido mata-mata. Afinal, restando 7 jogos (3 em casa e 4 fora), temos que vencer pelo menos 4 para avançar de fase – e o futebol apresentado nessa competição, desde o início não me faz ter a convicção (embora, claro, tenha a esperança) que de que isso vá ocorrer.

Por outro lado, temos o empolgante Fortaleza da Copa do Brasil. Aquele que foi manchete nacional ao vencer, com autoridade, os dois jogos contra o badalado Flamengo. Um time rápido, com recomposição e marcação eficientes e com aproveitamento altíssimo nas oportunidades que tem. Esse mesmo time desmontou o América de Minas em pouco mais de meia hora de jogo e sofreu muito poucos riscos de perder a classificação. Esse empolga sua torcida e leva quarenta mil ao estádio. Esse fornece uma esperança que parece ser desfeita logo após a partida seguinte na série C. Esse, que, sem dúvida, é o meu favorito, me faz perguntar: qual é o verdadeiro Fortaleza?

É como se o Fortaleza se pusesse em xeque, pois, se o time pode jogar tão bem, fazer um papel tão bonito, o torcedor inevitavelmente compara ao que vê em campo desde o primeiro jogo da série C (exceção feita ao jogo em Natal contra o América) e não enxerga correspondência. O Fortaleza que joga bem desafia o Fortaleza que joga mal a fazer melhor. O Fortaleza que joga mal, por sua vez, se vê cobrado por aquele que joga bem, como um fantasma de si mesmo que o tempo todo mostra o que está sendo feito é muito pouco. O Fortaleza que ganhou 6 pontos contra o Flamengo faz necessário que se cobre o que ganhou apenas 2 pontos em 6 disputados contra o sofrível River. Um desafia o outro por haver tanta disparidade que, de fato, parecem dois times diferentes.

A difícil, mas urgente, missão de Marquinhos Santos é buscar a regularidade na relação entre essas 2 versões do mesmo elenco e apagar qualquer desconfiança do torcedor, pois, se depender do rendimento até aqui na famigerada e insuportável série C, será muito penosa a classificação do tricolor para a fase do mata-mata. Não bastasse jogar 7 anos em 180 minutos e suportar todo o peso que daí advém, cabe ao Fortaleza provar que é melhor do que si mesmo. Para isso, ou o Fortaleza (leia-se diretoria e comissão técnica) acorda e muda sua postura na série C, ou lhe restará bater palmas para uma sombra de si mesmo e lamentar o que deixou de construir. Se o Fortaleza pode mais (e já mostrou que pode), que jogue mais. Acorda, Leão!

A hora e a vez da torcida tricolor

Quando comecei a pensar em escrever esse texto, tentei enumerar razões para que o torcedor tricolor compareça na próxima quinta à Arena Castelão. Poderia dizer, por exemplo, que o elenco, desacreditado logo no início do ano, já mostrou do que é capaz, vencendo com autoridade o estadual e eliminando o todo-poderoso Flamengo na segunda fase da Copa do Brasil. Poderia, ainda, dizer que a diretoria foi sensível à crise que toma conta de todos setores do país e baixou o ingresso em 50% do seu preço habitual. Poderia, também, dizer que a campanha na série C, embora oscilante, é boa, e que o Leão mantém a liderança do seu grupo no campeonato nacional. Ocorre, porém, que nada disso me parece motivo para se deslocar até o Castelão. Ou melhor, nada disso se compara a algo maior que tudo isso: o Leão precisa de nós.

Além da qualidade técnica, foi nossa presença em maio que o fez vencer ultrapassar os obstáculos mais complicados da temporada até aqui. Nós, que sempre queremos um time altivo (e que faça jus ao hino do clube), também temos que ser assim na próxima quinta. Nosso elenco, embora qualificado, não tem nenhum salvador da pátria. Aliás, talvez aí resida sua riqueza: é o coletivo que se sobressai. Na quinta, esse coletivo precisa sentir nossa confiança, nosso desejo de jogar junto e fazer com que a nossa força e a nossa vontade também seja a dele. O Fortaleza que veste o material e entra em campo é só uma parte pequena de algo maior que começa no momento em que família predestina a criança a um futuro tricolor e se concretiza, quase como um batismo, na arquibancada combativa, aguerrida, vibrante e forte sintetizada pela junção de cores mais bonita do universo.

Quinta, é dia de vestir vermelho, azul e branco e entender que o Fortaleza, que não tem grandes patrocínios, nem cota de televisão, e que vem se restruturando de 2015 para cá, só pode contar com sua imensa torcida – o único “patrimônio” que gestão desastrosa nenhuma (e foram muitas nos últimos anos) pode levar. Quinta é dia de se fazer presente não pelo presente, nem pela nossa galeria de troféus, mas pelo compromisso com um Fortaleza forte e respeitado, em nosso estado e no restante do país. A caminhada é longa e árdua, mas, se o nosso amado tricolor não puder contar conosco, o que lhe resta? Quinta é dia de tricolor de aço. Quinta é dia de batalha. E não podemos nos acovardar. Bora, Leão!

Raimundo Arrais – o imortal

Certa vez, Ernesto Sábato, ilustre poeta argentino, num momento de genialidade, disse que “viver consiste em construir recordações futuras”. Com isso, o poeta talvez quisesse dizer, entre outras coisas, que todos nós temos a imortalidade como horizonte ideal, no que pese a finitude como realidade concreta. É o futuro, essa dimensão incerta, que nos interessa em boa parte das ações mais significativas e, assim, nos empenhamos para que nossas lembranças da vida e as lembranças que ela guardará de nós sejam marcantes.

É bem verdade que todos, de certa forma, marcamos a lembrança de um grupo de amigos, familiares, ou outras pessoas próximas. Poucos, porém, poderão, ao longo da vida, se constituir lembrança futura e referência eterna para uma nação inteira. Raimundo Arrais, ao lado de sua companheira de vida e de arte Ayla Maria, teve esse privilégio para a imensa nação tricolor. Sua voz grave, contrastada pelo tom agudo da de sua companheira, embalou diversas comemorações de uma geração inteira de fanáticos tricolores. Basta uma pequena busca no YouTube para perceber que, se a década de 2000 do Fortaleza fosse um filme, seguramente as marchinhas cantadas pelo simpático e vibrante casal tricolor comporiam toda a trilha sonora. É que, além de talentoso, Arrais era verdadeiramente um tricolor – e não era difícil encontrá-lo no estádio, vibrando pelo Leão como qualquer tricolor comum, como qualquer mortal.

Acontece que, a despeito do comportamento de torcedor de Arrais, ela era bem mais que isso (embora isso não seja pouco). Se Jackson de Carvalho deu a direção do hino através de sua belíssima composição em 1967, Arrais e Ayla deram a força de que ele precisava para se mostrar com toda a exuberância e ser cantado a plenos pulmões (e lágrimas, muitas vezes) por toda a torcida tricolor. Aquilo que já era um hino belíssimo se transformou num símbolo que contagiava (e ainda contagia) toda uma torcida que reconhece no casal de cantores a grande referência em sua interpretação. É como se Jackson de Carvalho, Arrais e Ayla formassem uma totalidade chamada “Hino do Fortaleza Esporte Clube”, tal é a maneira como eles se confundem com esse forte símbolo tricolor.

E se Sábato estiver certo e viver consistir mesmo em construir recordações futuras, a vida de Arrais foi muito boa e altamente significativa para milhares de pessoas com quem sequer ele nunca teve contato. É que quem é realmente grande em sua obra (e esse certamente é o caso do nosso barítono tricolor) não tem noção do alcance do que faz, porque faz com a naturalidade que só aos grandes é permitido. Não que não soubesse o quanto era querido e admirado, mas duvido que Arrais soubesse, por exemplo, quem sou, e muito menos que, tendo acabado de ouvir uma interpretação sua do hino à capela, escrevo esse texto com os olhos marejados. As recordações cheias de afetos que em nós tricolores habitam são inesquecíveis. E por isso mesmo, posso dizer com muita tranquilidade, certeza e emoção que Raimundo Arrais é imortal.

Emanuel Meireles

A saga rumo à série B: River

Tendo em vista o início da série C, semana que vem, o Etricolor inicia hoje, como já é tradição no site, uma série de matérias sobre cada um dos adversários do Leão rumo à série B, na primeira fase da competição. Diariamente, será publicada uma reportagem sobre nossos adversários, com suas campanhas nos campeonatos que disputou e seu histórico recente diante do tricolor de aço. Seguiremos a ordem dos confrontos e, por isso, o adversário a ser descrito hoje é o River, do Piauí.

 

Embora só esteja presente na série C a partir desse ano, já que foi vice-campeão da última divisão do futebol nacional em 2015, o River é um dos adversários que o Fortaleza mais enfrentou desde o ano passado. A boa notícia é que vencemos todos os 6 últimos jogos – 2 pela Copa do Nordeste deste ano, 2 pela do ano passado e 2 pela Copa do Brasil de 2015. Em todos os embates, porém, o River ofereceu uma grande resistência – basta lembrar a dramática classificação na última rodada no torneio regional deste ano. No Nordestão, o River fez 6 jogos (caiu na fase classificatória), ganhou 1, empatou 4 e perdeu apenas 1 – justamente o último, contra o tricolor, em casa – tendo marcado 8 gols e sofrido 10 (a pior defesa do grupo ao lado do Botafogo da Paraíba). Seu artilheiro no torneio foi Vanderlei, com 3 gols.

 

Já no campeonato estadual, a situação do tricolor piauiense é bem mais cômoda. Mesmo tendo perdido Zé Teodoro no fim de fevereiro o Galo, como é conhecido, conseguiu repor a perda e colocar o técnico Capitão em seu lugar, com bom aproveitamento ao longo da competição local. Após uma fase classificatória irregular (fez 7 jogos, ganhou 3, empatou 2 e perdeu 2), o River cresceu na semi final e na final, e venceu o primeiro turno com uma vitória e um empate contra o Picos, após desbancar o rival Flamengo na semi final. Já no segundo turno, com campanha mais regular (7 jogos, com 4 vitórias, 2 empates e 1 derrota), passou pelo Parnahyba na semi final (1 vitória e 1 empate) e venceu no último domingo o Altos, por 1 a 0. Está, portanto, a um empate de, no dia 26/05, ser campeão piauiense arrastão. No cômputo geral, enquanto tem 61,9% de aproveitamento, seu adversário tem 61,4% – campanhas praticamente idênticas. Os destaques do Galo no estadual são Vanderlei, Diego Lira e Fabinho, com 6, 6 e 5 gols, respectivamente. Do torneio regional para cá, sua defesa se ajustou ao longo do estadual, tendo tomado apenas 8 gols em 21 jogos. Já o ataque fez 30 gols. Nas decisões, porém, costuma fazer menos gols, vencendo pelo placar ou diferença mínima.

 

O grande feito do River no ano, até aqui, foi na Copa do Brasil. De cara, enfrentou o poderoso Goiás, que, embora rebaixado da série A em 2015, é um dos mais cotados para subir da série B para a A. Após vencer em Teresina por 2 a 1, o tricolor piauiense sofreu derrota pelo menos placar na capital goiana e, nos pênaltis, desbancou a equipe esmeraldina. A partida marcou a reestreia do atacante Eduardo, que nessa temporada já jogou pelo Leão do Pici e fez o gol que levou o jogo para as cobranças de pênalti. Na primeira partida da fase seguinte, porém, o Galo perdeu para o Botafogo da Paraíba em casa por 1 a 0 e precisa pelo menos devolver o placar para de novo levar o jogo para as penalidades sob pena de ser eliminado.

 

Embora limitado, o time do River mostra muita garra e tem na velocidade de seu contra-ataque uma arma que pode surpreender a defesa do Leão no jogo da estreia, no Castelão, dia 23/05. Marcação forte e velocidade na troca de passes serão fundamentais para um triunfo diante da equipe piauiense, que tem em Fabinho, Eduardo, Junior Xuxa e Vanderlei um quarteto que pode dar muita dor de cabeça a nossa defesa.

 

 

 

Uma historia marcada na memória tricolor

CAMPEAOHá quem entenda que o futebol é um esporte. Há, também quem ache que é uma arte. Há, ainda, quem o tome por um grande negócio. Há inclusive, quem ache que ele é uma simples competição (acirrada, é verdade, mas uma competição). Nada disso é falso, mas, aos olhos do torcedor, nenhuma das opções é verdadeira. Pelo menos, não completamente. O que faz a emoção do momento de um gol? Seguramente, no instante que esse acontecimento se dá, não é nenhum desses itens que o torcedor pensa. Não é no esporte, nem na arte, nem na paixão, tampouco no negócio. Uma resposta simplista poderia indicar a óbvia ideia de que futebol é paixão. E parece que é tudo isso e mais um pouco. É que torcer por um time envolve falar de si mesmo, ou melhor, compreender que aquele time faz parte de si. Vibrar por uma vitória do time é reagir a uma como se fosse nossa. É agir apaixonada e exageradamente a algo que, concretamente, não muda a vida de ninguém em nenhum aspecto. Será?

Semana passada comemorou-se um ano do inesquecível gol do Cassiano. Estivéssemos ou não no estádio, não há tricolor que não se emocione ao ver a incrível reação do time após levar um gol que levaria embora o campeonato no último minuto regulamentar após 4 difíceis. E, se olharmos a reação dos torcedores, saberemos que isso não é pouca coisa. Que aquilo que estatisticamente representa 2,5% de todos os títulos estaduais do Fortaleza, foi um momento grande, em que metade do estádio (e a maior parte de nosso estado) era uma só alma. Um momento em que cada um de nós poderia ser (se é que não era) Everton as lagrimas à beira do campo, em que toda a grandeza do instante se fazia presente através da palavra dignidade. Ganhar aquele título foi resgatar em nós, tricolores, o costume com a vitória, com a altivez de que fala nosso hino, com a capacidade de olharmos nossos rivais de igual pra igual e dizer: “temos todas as condições de vencer. Somos grandes, somos Leão”.

Ganhamos mais uma final, após ficarmos fora 2 vezes em períodos recentes, é engano tentar reduzir a festa a pouco mais que alguns fatores que compõem esse elemento tão marcante da cultura nacional que é o futebol. Hoje é dia de festa. Não apenas (embora também) por mais um entre 41 títulos estaduais (DE VERDADE), mas pela ratificação de um reencontro com a grandeza, com a dignidade. Os milhares que estiveram lá sabiam bem que não importava contra quem fosse a disputa do título (afinal, “soberbo, provaste mesmo que não tens rival), o que esteve em jogo nessa final foi a afirmação de um caminho que reconhece o Fortaleza como ele é: grande, forte, altivo, o clube que nasceu para ser campeão, o parque dos campeonatos, o maior campeão do estado. E nós, como torcedores, sabemos que isso também nos constitui. Nós somos e queremos essa dignidade. E parece que, pelo menos em âmbito local, estamos conquistando-a de volta.

Por isso mesmo, foi dia de ir, vibrar, apoiar e celebrar o soerguimento (às custas de muito trabalho árduo) desse gigante que tanto amamos. Foi dia de entender, que mesmo que se tente diminuir pelo fato de não ser contra nosso maior rival (e que culpa nosso clube tem da incompetência alheia?), celebrações como a de hoje fazem parte do renascimento de nossa própria dignidade. Foi dia de pela emoção, agir como se esporte, arte, negócio, competição, paixão e dignidade pudessem ser sintetizados em duas palavras que mexem tanto conosco: Fortaleza Bicampeão. Parabéns, Leão, Parabéns, nação tricolor!

Por: Emanuel Meireles

Finais do cearense têm datas e locais definidos

Após dois dias de muita polêmica em torno das datas, finalmente uma reunião na federação entre Fortaleza, Uniclinic, Federação, Esporte Interativo e Tv Verdes Mares definiu as datas em que o título deste ano será decidido. A proposta do Fortaleza e do Esporte Interativo era que os jogos ocorrem nos dias 04 e 08 de maio. Essa proposta, porém, foi voto vencido, e prevaleceu a vontade de Uniclinic e Tv Verdes Mares, ou seja, 01 e 08 de maio, ambas às 16 horas. A primeira partida será no PV, enquanto a segunda, no Castelão. O Leão tem a vantagem para a final.