Mosaico de emoções

E eis que, como eu nunca duvidei, chegamos a fase decisiva do campeonato a que nunca pertencemos, embora o destino tenha nos amarrado caprichosamente durante 7 anos. Na faculdade às 9 da manhã ou na minha cama às 3 da madrugada invariavelmente estou como muitos torcedores, analisando, prevendo, orando. A camisa tricolor, como diz minha mãe, sempre “uma na água, outra nos côro”. No coração há um mosaico, gigantesco como só o Fortaleza sabe fazer, um mosaico de muitas cores. Nele, hoje, há apenas as cores mais lindas, as cores do meu Fortaleza. Há alguns dias havia as cores alvinegras. Não me xinguem ainda, peço para me explicar, cor por cor, do mosaico em questão.

Apesar de as cores vermelha, branca e az14184468_240074769727365_8223213247921067657_nul, que nosso time adota serem inspiradas na bandeira francesa, onde representam os ideais da Revolução, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, no mosaico de emoções que vivo todas as cores tem um sentido próprio. Ao vermelho associo o sangue, o sangue que pulsa nossas veias a todo instante para nós 60000 no castelão, milhões espalhados pelo Brasil, empurrarmos os nossos jogadores com amor, com confiança. “Os jogadores passam, fica o Fortaleza” falam alguns, pedindo para não idolatrar jogadores. Pode até ser, mas eu vou jogar junto com eles. Eu vou acreditar que apesar de não termos o time de melhor técnica do mundo ele será combativo, aguerrido, vibrante e forte, e não demonstrará cansaço frente ao adversário. Eu vou acreditar na emoção do Lima, na vontade do Correa, vou acreditar que cada homem que estiver dentro daquele campo lutará como profissional, e mais ainda como humano, pois não há humano capaz de ficar imune ao nosso amor, à festa tricolor, à mística daquelas camisas. O vermelho é sangue, garra, amor, paixão.

O azul do meu mosaico representa a nobreza, a honestidade do nosso time que quero ver subir dentro das quatro linhas, um time que será recompensado por um trabalho árduo de todos, em conjunto. Do torcedor que faz o sócio, que apoia do jeito que pode, aos jogadores, funcionários do time, dirigentes. O azul é uma cor forte, que combate o preto de que falarei daqui a pouco. Representa enfim a lealdade, fibra, confiança, honestidade, cooperação.

Há o branco. O branco é uma cor ambígua. Pode ser o bem, pode ser o mal, o rival também o tem em suas cores. O branco pode representar as dúvidas que temos, após tantos anos caindo nessa fase há um final ainda em branco para nossa história. Já o preto, uma cor que está associada culturalmente à escuridão, às trevas, ao mal, pode ser uma das cores do seu mosaico, sabia? Ele representa as fofocas, o medo, a desconfiança, a desonestidade. Quando você só sabe xingar o time que está vestindo nossa camisa você está se rendendo ao preto. Quando você manda o Fortaleza comprar todo mundo você está se rendendo ao preto. Quando se da por derrotado, quando desacredita antes da hora, quando tudo isso acontece, parabéns, o mosaico do seu coração é alvinegro! E é aí que está o “pulo do gato”: dúvidas, todos nós temos, mas essas dúvidas te levam à garra e lealdade, confiança, ou ao medo e desonestidade? Esse branco te leva a ser tricolor ou alvi-negro?  Faça sua escolha.

Eu já fiz a minha. Escolhi ser tricolor desde que nasci. É com amor pelo meu time, com confiança que sei que dessa vez, o Leão vai matar. Contra tudo, contra todos. Há um grande adversário, grandes adversidades. Mas eu sou é tricolor, eu acredito no impossível, eu falo da mística daquelas camisas como todo mundo porque sim, isso é algo que simplesmente não deve ser esquecido por nenhum de nós em nenhum instante. Ela tocou nossos corações, ela nos fez apaixonados pelo Fortaleza. Ela nos fez, acima de tudo, TRICOLORES.

Saudações TRICOLORES!

Ana Nathália Simões

Comentários