Desculpe o transtorno, preciso falar de Marquinhos Santos (ainda)

“O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades” (Vinícius de Moraes)

marquinhos santos
(Foto: Evilázio Bezerra /O POVO)

A madrugada de domingo para a segunda não foi fácil para quem torce para o Fortaleza. Comemorar a classificação, saber que o adversário agora é o Juventude, a ansiedade de esperar um mata-mata (ou viva-viva) e a angústia de repetir o passado não foi suficiente. Perdemos Marquinhos Santos.

Voltando ao domingo, ao receber a notícia, para mim foi enfático: uma imensa perda. Perdemos o técnico e o sono. Perdemos o comandante e a tranquilidade. Não foi fácil.

Como digerir a informação da ida do Marquinhos Santos para o Figueirense, depois de tantas outras propostas recusadas, depois de tantas entrevistas concedidas onde ele afirmava veementemente “só saio quando o Fortaleza subir”? Me senti traída, um sentimento péssimo de não poder fazer nada e ficar um dia inteiro pensando no que pode ter acontecido para ele ir embora assim, restando dois jogos para o acesso. Em meio aos vários áudios do além e especulações, parei e pensei: Será que foi tão ruim assim?

Demorei muito para escrever esse texto, devido ao pouco tempo que tenho, e esse tempo me fez refletir de forma menos emocionada sobre o ocorrido.

Eu sou uma torcedora que defendi muito o Marquinhos Santos. A desconfiança que eu “tenho” desse time foi, muitas vezes, amenizada pelos discursos e pelas atitudes dele. “Ah, Marcella, tu tá toda viúva de Marquinhos Santos!” Não, caros colegas, não estou. Só que é preciso falar que a história tem dois lados. Tem a nossa de torcedor, que vai mandar ele se lascar, vai torcer para o Figueirense cair pra B, que vamos encontrar ele no ano que vem, que ele não pisa mais no Pici e etc. E tem as motivações e angústias pessoais do homem Marcos, para as quais a melhor solução era partir. E nessa história com dois lados, eu vou remoer a minha. E a minha é que eu quero é subir. E eu quero mandar ele se lascar, nem que seja para massagear o ego ferido.

Do caos que teoricamente vivemos, precisamos lembrar que ainda assim a liderança do MS deixou bons frutos. Sua saída tem impacto? Sim, tem. Mas, tem também um time arrumado, sem jogadores no DM e uma turma motivada, pelo menos eu acredito. E temos também uma torcida que se inflamou com os acontecimentos. No ápice da emoção, até pedir para o Jorge Mota comprar todo mundo a gente pede (rsrsrs). Duvido que você não tenha pensado nisso. Duvido que você, emocionadíssimo, não tenha comentado isso com a galera dos grupos do Facebook, Whatsapp, mesa de bar e afins.

Apesar de tudo que eu falei aqui todo mundo já sabe, era questão de honra para mim desabafar isso. Fechar esse ciclo como fez Gregório Duvivier, ao escrever sobre a ex-mulher, Clarisse Falcão. Com Marquinhos reforcei o grande aprendizado que o futebol brasileiro, nordestino e cearense me deu: os jogadores passam, as diretorias passam, o que fica é o Fortaleza. Mas, diferente do Gregório, eu espero do fundo do meu coração que eu não sinta a sua falta, MS.

E aí, vem a justificativa da frase de Vinícius de Moraes que coloquei antes de começar esse texto: vivemos uma grande felicidade com o bicampeonato cearense no começo do ano, estamos passando por um grande sofrimento agora, mas na expectativa de pode gritar de felicidade que vivemos tudo isso e vamos passar por cima disso tudo.

Hoje, quinta-feira, 22 de setembro, enfrentaremos o Internacional-RS pela Copa do Brasil. Gostaria de poder estar aí para receber muito bem o novo comandante. Hemerson Maria chega para colaborar com essa história. Com pressão? Sim. Com emoção? Também. Diante das circunstâncias, eu creio, realmente, que ele vai ajudar muito, tanto pela sua experiência com o futebol do Sul como pela sua motivação de ter seu nome gravado na vida do Fortaleza e conquistar o carinho da torcida do Tricolor de Aço.

Realmente, desejar cobrir o placar elástico do Inter é difícil, mas não impossível. Porém, para hoje, só peço garra e força de vontade do time. Sem pretensões de passar para a outra fase da Copa do Brasil (mas, se vier, seria de bom tamanho), como um “treino” de preparação para esses dois longos jogos que teremos pela frente.

Agora, é com a gente. É comigo e contigo. É com a mística das camisas tricolores. O torcedor do Fortaleza é gigante. É emocionado. É apaixonado sim, mas acima de tudo, é merecedor do fim desse grande inferno chamado série C. E já provamos que NUNCA deixaremos de acreditar e é isso que nos faz torcedores do Fortaleza. Sempre vamos acreditar na nossa força, na nossa motivação e na nossa fé de que o improvável se torna possível e de todo impossível pode ser feito milagre.

Vamos juntos pelo acesso. Bora Leão!!!

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