Rogério Ceni no Pici: do acesso ao crescimento

Rogério Ceni é o novo técnico do leão

O ano de 2017 termina como todo tricolor gostaria: após oito longos e agonizantes anos, saímos da famigerada série C. Com isso, além da emocionante sensação de havermos saído do inferno, o clube passa a ter acesso a uma série de receitas aos quais não tinha quando estava na penúltima divisão do futebol nacional: patrocínio da Caixa Econômica Federal, cota de televisão (inexistente na série C), aumento do número de sócios, entre outras possibilidades de captação de recursos dada a visibilidade imensamente maior que a série alcançada tem.

Junto com a merecida e memorável festa, é necessário que a gestão do clube entenda que o acesso, sem dúvida uma grande e ansiada conquista, não implica necessariamente em crescimento do clube. Como exemplo, podem-se citar os dois acessos conquistados na década passada à principal série do campeonato nacional. Naquela época, o clube ganhou visibilidade, disputou a maior competição nacional, mas não aproveitou essa oportunidade para crescer como instituição autossustentável, dando nítidos sinais de que o que estava em seu horizonte era apenas o resultado em campo. Não por acaso, três anos após nossa última participação na série A, fomos rebaixados à penúltima divisão do futebol nacional e sem muitos recursos para conseguirmos sair dela. Isso significa dizer que acesso e crescimento não têm uma relação automática e que, caso não seja feito um trabalho para que uma coisa implique na outra, o Fortaleza corre risco de um dia cair de patamar novamente.

A responsabilidade fiscal é peça-chave nesse processo e a carta-renúncia de Eduardo Girão sinaliza essa preocupação, bem como a auditoria apresentada junto com ela. Atrasar salários, estourar o orçamento, apostar em contratações que já tiveram um passado glorioso, mas hoje não rendem mais, entre outras coisas, não pode mais acontecer. A palavra é profissionalização.

Ocorre que aliado a isso é preciso pensar o Fortaleza grande, numa proporção similar à de sua torcida. E os primeiros sinais que a nova gestão está dando são animadores. A vinda de Rogério Ceni – que já é o assunto que mais colocou o Fortaleza em evidência na mídia nacional em toda a sua história – indica a intenção de fazer um Fortaleza forte, em busca da vaga à série ou, pelo menos, sem correr grandes riscos de um novo rebaixamento. Foi divulgado pelo presidente que Rogério solicitou uma série de melhorias na estrutura do clube. Sabe-se também que há ações de marketing sendo pensadas, como venda de produtos, captação de patrocinadores, etc. Tudo isso “ajuda a bola a entrar” (expressão muito usada pelo nosso presidente), pois remodela o desenho do próprio clube. Mais uma vez, a história gloriosa do tricolor o coloca diante da necessidade de crescer após um tão desejado acesso. Parece que os dirigentes estão entendendo esse recado. Bora, Leão!

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