Salve o Tricolor de Aço

Após o revés em Natal, contra o ABC, no último sábado, a situação do Leão ficou muito preocupante. Caso o Clube do Remo obtenha bom resultado em Belém contra o Confiança, o que é provável, sairemos pela primeira vez em 14 rodadas do G-4. Os cálculos mais recentes apontam a necessidade de 29 pontos para se classificar para o mata-mata. Subtraídos os 22 já conquistados, nos restam 7 pontos a conquistar em 12 possíveis, ou seja, 58,33%, contra Salgueiro (em casa), Asa (fora de casa), Remo (em casa) e Botafogo (fora). Se não é um aproveitamento de campeão, é superior aos atuais 52,4% de desempenho do nosso time até aqui e quase o dobro dos 33,33% das últimas quatro rodadas (vencemos 1, empatamos outra e perdemos 2). No primeiro turno, nessa mesma sequência, fizemos 7 de 12 pontos, com mando de campo inverso ao que teremos. O momento, porém, era bem mais tranquilo, devido ainda às boas atuações do time nos clássicos-rei, e especialmente nos momentos decisivos da Copa do Nordeste e, principalmente, da Copa do Brasil. Hoje, a torcida está preocupada, e as comparações com 2013, ano em que, no último minuto, despencamos do primeiro para o quinto lugar e ficamos fora do mata-mata, são inevitáveis. Prova disso é a quantidade de números que presentes nesse parágrafo. Os cálculos fazem parte desse jogo.

Nessas horas, é muito comum aparecerem textos motivacionais para falar da mística “daquelas camisas”, para lembrar do acesso em 2004 à série A (bons tempos) com apenas 2% de chance (olha os números aí de novo), entre outras coisas, para que nos convençamos de que é possível e de o nosso time é diferente dos outros. E minha vontade ao escrever esse texto era de fazer algo assim. Mas é difícil brigar com o real e com o que a gente mesmo sente. Até porque, depois de sábado, minhas esperanças ficaram muito reduzidas e busco um alento que até aqui não encontrei. É inevitável comparar a disputa atual todas as outros 6 temporadas (sim, já faz esse tempo todo) em que disputamos a famigerada e vergonhosa série C do campeonato nacional e me perguntar: “mas de novo?”. Afinal, é preocupante constatar que temos um elenco mais fraco do que aquele que disputou e venceu o estadual – campeonato sabidamente mais fraco que a série C. Quando um titular não está indo bem ou se machuca, o sentimento é de desalento; nosso banco não resolve, não nos dá alternativas para mudar uma partida (é bem verdade que nossos meios sofrem com contusões desde o início do campeonato).

Nesse sentido, é nítido, embora não admitido publicamente, que houve erros de avaliação do elenco. Em vez de reforços, o que se viu até aqui foi uma coleção de jogadores cujo desempenho afundam a produção do time e nos enche de saudade de quem está de fora. Quem não gostaria de ter Éverton de volta o mais rápido possível? E Ricardo Berna? E o questionado (mas útil) Juninho? É comum nos grupos de whatsapp e outras redes sociais a crítica aos critérios adotados na hora de contratar reforços. É comum que ocorram atos de desespero e, frequentemente, equivocados de torcedores que não aguentam mais a humilhante situação de disputa de um certame tão pouco condizente com a grandeza do tricolor, que, aliás, se degradou muito desde o rebaixamento em 2009. Até pouco antes disso, éramos sinônimo de modernidade no estado, com a parceria da saudosa Santana Têxtil e a formação de times que faziam jus à nossa tradição. E o que sobra do Fortaleza que nos encanta desde pequenos?

Sem pestanejar, respondo que o que resta é nossa torcida. E é só a ela que o Leão pode recorrer. Sob desconfiança ou não, sob protesto ou não, se a torcida abandonar o Fortaleza, não sobra muito além de uma sala com vários troféus cujas conquistas só foram possíveis porque o Fortaleza se fez grande como sua torcida. É só a ela que o clube tem. Nada mais. Por isso, ainda que insatisfeitos, a hora é de chegar junto, de contar com quem está aí e com quem ainda pode chegar (especulam-se no Pici duas contratações: a de um meia e de um atacante) para levantar o moral e jogar junto. Sábado, é dia de gritar e apoiar mesmo aqueles jogadores que sabemos que, noutras circunstâncias, jamais poderia vestir nossa gloriosa camisa. Sábado, é dia de levantar esse time com a nossa força, pois é só ela que ele possui. Torcer é, mesmo no pessimismo (e o nosso é bem justificado), alimentar uma ponta de esperança. Torcer Fortaleza nos últimos 7 anos, então, é caminhar sobre uma afiada navalha e, ainda assim, conviver com uma mistura de desilusão e esperança. Sábado e sempre, só a torcida pode salvar o tricolor de aço. Sábado, é dia de CasteLeão.

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